RFAI – Regime Fiscal de Apoio ao Investimento

O Regime Fiscal de Apoio ao Investimento é um benefício fiscal, previsto no Decreto-Lei nº 162/2014 de 31 de Outubro, que permite às empresas deduzir à coleta apurada uma percentagem do investimento realizado em ativos não correntes (tangíveis e intangíveis).


  • Beneficiários
    O RFAI é aplicável aos sujeitos passivos de IRC que exerçam uma atividade nos seguintes sectores:
    • Indústria extrativa e indústria transformadora;
    • Turismo;
    • Atividades e serviços informáticos;
    • Atividades agrícolas, aquacultura, piscícolas, agropecuárias e florestais;
    • Atividades de Investigação & Desenvolvimento e de alta intensidade tecnológica;
    • Tecnologias de informação e produção de audiovisual e multimédia;
    • Defesa, ambiente, energia e telecomunicações;
    • Atividades de centros de serviços partilhados.
  • Requisitos
    Podem beneficiar dos incentivos fiscais previstos no presente capítulo os sujeitos passivos de IRC que preencham cumulativamente as seguintes condições:
    • Disponham de contabilidade organizada regularmente organizada;
    • O seu lucro tributável não seja determinado por métodos indiretos;
    • Mantenham na empresa os bens objeto de investimento:
      • Durante um período mínimo de três anos, no caso de PME;
      • Durante cinco anos, nos restantes casos;
      • Quando inferior, durante o respetivo período mínimo de vida útil;
      • Até ao período em que se verifique o respetivo abate físico, desmantelamento, abandono ou inutilização;
    • Não sejam devedoras ao Estado e à Segurança Social de quaisquer contribuições, impostos ou quotizações, ou tenham o pagamento desses débitos devidamente assegurado;
    • Não sejam consideradas empresas em dificuldades nos termos da comunicação da Comissão;
    • Efetuem investimento relevante que proporcione a criação de postos de trabalho e a sua manutenção até ao final do período mínimo de manutenção dos bens objeto de investimento.
  • Investimentos Relevantes
    Ativos fixos tangíveis, adquiridos em estado novo, com exceção de:
    • Terrenos, salvo no caso de se destinarem à exploração de concessões minerais, águas minerais naturais e de nascente, pedreiras, barreiros e areeiros em investimentos na indústria extrativa;
    • Construção, aquisição, reparação e ampliação de quaisquer edifícios, salvo se forem instalações fabris ou afetos a atividades turísticas, de produção de audiovisual e administrativas;
    • Viaturas ligeiras de passageiros ou mistas;
    • Mobiliário e artigos de conforto ou decoração, salvo equipamento hoteleiro afeto a exploração turística;
    • Equipamentos sociais;
    • Outros bens de investimento que não estejam afetos à exploração da empresa.

    Ativos intangíveis, constituídos por despesas com transferência de tecnologia, nomeadamente através da aquisição de direitos de patentes, licenças, know-how ou conhecimentos técnicos não protegidos por patente, as quais não podem exceder 50 % das aplicações relevantes, no caso de sujeitos passivos de IRC que não se enquadrem na categoria das micro, pequenas e médias empresas.
  • Incentivo
    Aos sujeitos passivos de IRC são concedidos os seguintes benefícios fiscais:
    1. Dedução à coleta de IRC das seguintes importâncias das aplicações relevantes:
      • No caso de investimentos realizados nas regiões Norte, Centro, Alentejo, Região Autónoma dos Açores e Região Autónoma da Madeira, 25% das aplicações relevantes, para o investimento realizado até ao montante de 5.000.000€, e de 10% das aplicações relevantes, relativamente à parte excedente;
      • Construção, aquisição, reparação e ampliação de quaisquer edifícios, salvo se forem instalações fabris ou afetos a atividades turísticas, de produção de audiovisual e administrativas;
      • No caso de investimentos nas regiões do Algarve e Grande Lisboa, 10% das aplicações relevantes.
    2. Isenção ou redução de IMI, por um período até 10 anos a contar do ano de aquisição ou construção do imóvel, relativamente aos prédios utilizados no âmbito dos investimentos que constituam aplicações relevantes;
    3. Isenção ou redução do IMT relativamente às aquisições de prédios que constituam aplicações relevantes;
    4. Isenção de Imposto de Selo relativamente às aquisições de prédios que constituam aplicações relevantes.
  • Limites de Dedução à Coleta
    A dedução à coleta respeita os seguintes limites:
    • Até à concorrência do total da coleta de IRC: no caso de investimentos realizados no período de tributação do início de atividade e nos dois períodos de tributação seguintes, exceto quando a empresa resultar de cisão;
    • Até à concorrência de 50% da coleta do IRC: nos restantes casos.
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