Notícias

iLof
26 Agosto 2020
iLof: a startup do Porto que usa a luz para desvendar doenças
Expresso

Enquanto diretor executivo da iLof, Luís Valente está apostado em usar a tecnologia fotónica para detetar nanoestruturas no sangue ou outras amostras biológicas, de modo a que os medicamentos vão parar à prateleira das farmácias – mas para poderem ser receitados às pessoas que podem beneficiar deles, e sem metáforas à mistura.

O primeiro desafio da startup sedeada no Centro de investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto não poderia ser mais exigente: "em 15 anos, mais de 400 estudos científicos falharam no desenvolvimento de terapêuticas para a Alzheimer. Um médico usa hoje as mesmas ferramentas de há 15 anos. Não há nada que possa ser usado como terapêutica que se tenha a certeza de que é eficaz”, explica.

A Alzheimer é apenas o princípio de uma ideia de negócio que começou a ser desenvolvida em torno do trabalho de Paula Sampaio, no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (I3S). No verão de 2019, a empresa ficou constituída – e ainda no ano passado garantiu, através do prestigiado concurso europeu EIT Health, promovido pela Comissão Europeia, dois milhões de euros de investimento.

Em 2020, já com boa parte da humanidade confinada em casa, surgiu um novo desafio: a análise reflexos de sinais de luz também poderá ser usada para conhecer os perfis biológicos de doentes de Covid-19.

Este último projeto, que foi financiado pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), vem juntar-se a todas as outras potenciais aplicações da tecnologia desenvolvida pela iLof. A jovem empresa portuense tem como principal alvo desenvolver um método de triagem para a Alzheimer, mas também acredita que as mesmas técnicas são fiáveis para o conhecimento mais detalhado do perfil biológico de um doente de cancro gástrico, ou doenças associadas aos acidentes cardiovasculares (AVC).

Estas são apenas as maleitas que a empresa definiu para raio de ação inicial. Em teoria, é possível admitir que a análise de nanoestruturas através de técnicas de fotónica possa ser aplicada a qualquer doença, para identificar o perfil biológico, que permite apurar rapidamente quais os fármacos com maior taxa de sucesso. O que pode acelerar o desenvolvimento de terapêuticas personalizadas.

A iLof está apostada em substituir a lógica de tentativa e erro com uma tecnologia que, nos testes efetuados, demonstrou taxas de sucesso de 89% a 91% na triagem de diferentes doenças. A técnica criada nos laboratórios portuenses, que há cerca de quatro anos começou por ser experimentada na análise de microplásticos na água, evoluiu para o desenvolvimento de um dispositivo com um cabo de fibra ótica, que emite sinais luminosos para uma lente que, por sua vez, foca esses sinais numa amostra de sangue ou de outros fluidos biológicos.

A startup do Porto conta desenvolver um dispositivo portátil que poderá ser instalado facilmente em qualquer laboratório ou unidade clínica. Até à data, os mentores desta tecnologia identificaram dois grupos de potenciais clientes: laboratórios especializados no estudo clínico de doentes, e empresas de biotecnologia. Esta expectativa começou a ser cumprida com acordos recentes com três grupos farmacêuticos – "sendo que dois deles pertencem ao top 4 mundial do setor”.

O gestor da iLof está convicto de que também o estudo clínico da Covid-19 pode beneficiar dos mesmos métodos e tecnologias, para conhecer quais os efeitos que o vírus poderá ter em cada pessoa e quais os resultados que podem ser obtidos através dos diferentes medicamentos no combate à infeção.

"Prever a evolução da infeção pode ser importante para decidir se uma pessoa pode ou não ser tratada em casa. O que significa que esta ferramenta pode ser útil para a gestão dos recursos de um hospital”, acrescenta Luís Valente.

Copyright ©2020 Porto. Câmara Municipal