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Critical Software
31 Agosto 2020
BMW e Critical Software duplicam faturação para 57 ME e vão contratar mais no Porto

A joint venture (aliança) entre BMW e a portuguesa Critical Software, que resultou na instalação, no centro do Porto, da nova Critical TechWorks, aguarda duplicar a faturação para 57 milhões de euros em 2020. Além disso, esta feliz parceria para o desenvolvimento de softwares de última geração para a indústria automóvel quer contratar mais quadros especializados na cidade, onde está instalada a sede.

Ainda com as instalações em obras, no antigo Edifício dos Correios, a Critical TechWorks anunciava que iria contratar 500 quadros, sobretudo para a área das TIC, mas neste momento, como avança à Lusa o Chief Operations Officer (COO) da empresa, Jochen Kirschbaum, o balanço já vai em 850 pessoas contratadas, a maior parte nos escritórios do Porto.

Agora o objetivo, aponta o responsável em entrevista à agência de notícias, é terminar o ano com 1.000 colaboradores (dos quais cerca de dois terços no Porto e os restantes em Lisboa), face aos 600 que tinha contratado até ao final de 2019. Para 2021, a expectativa é a de alcançar uma equipa com mais de 1.200 pessoas.

Uma rota ascendente que nem a crise económica causada pela pandemia melindrou e que resulta de um excelente desempenho na aceitação do mundo automóvel face às soluções tecnológicas que estão a ser desenvolvidas a partir do centro da cidade, mesmo ao lado da Avenida dos Aliados.

Aliás, alinha com os resultados de um estudo levado a cabo durante o período mais crítico da pandemia, que concluiu que as empresas internacionais continuam a instalar-se na cidade, mesmo num tempo tão instável quanto este. Facto que se reflete no arrendamento de escritórios, que também não deu mostras de refrear, antes pelo contrário, cresceu 38%.

Quanto à evolução da Critical TechWorks na cidade, cita a mesma fonte segundo declarações de Jochen Kirschbaum, o ritmo de crescimento dos quadros tem acompanhado a evolução do volume de negócios, que em 2018 - quando principiou o seu futuro próspero num pequeno espaço na zona do Campo Alegre - foi de três milhões de euros, mas que disparou para os 32 milhões de euros em 2019 e se prevê que quase duplique no final deste ano, para os 57 milhões de euros.

Destinada a apoiar o desenvolvimento de soluções digitais para equipar os veículos do grupo BMW, a Critical Techworks resulta de uma parceria entre o gigante automóvel alemão e a tecnológica portuguesa Critical Software, uma empresa de software e sistemas de informação que tem a NASA entre os principais clientes.

"A BMW optou por uma joint venture, em alternativa à criação de uma empresa própria de raiz, porque a área de digitalização e de desenvolvimento de software é muito complexa e porque é muito difícil introduzir novos modelos de trabalho na BMW, um big ship [empresa de grande dimensão] na qual a transformação demora tempo".

"Decidimos, por isso, optar por este atalho e estabelecer esta joint venture para aprender e implementar software de última geração e engenharia de excelência em novos modelos de trabalho, através da Critical Software", cita ainda a Lusa.

De acordo com o COO da Critical Techworks, a parceria foi o culminar de uma "muito longa avaliação, feita em diferentes mercados, para ver qual o mais adequado para a implementar", tendo a decisão final pendido sobre a cidade do Porto, onde aliás a Critical Software, sediada em Coimbra, já se havia instalado em 2017, recuperando um edifício que pertencia à EDP no centro da cidade (ao Largo do Dr. Tito Fontes).

Sendo um dos requisitos "estar perto da Alemanha, porque se pretendia manter uma relação próxima com a sede de Munique", Portugal foi à partida "identificado como um dos países mais adequados, também devido à estabilidade política, à qualidade da formação superior nas áreas das ciências, matemática e informática e ao nível de inovação em diferentes domínios, de que é exemplo o sistema português Multibanco", continua o COO da Critical TechWorks.

No balanço de dois anos de atividade, mormente concentrados no Porto, Jochen Kirschbaum garante que "a BMW está muito satisfeita com a joint venture e com o seu nível de performance e de criação de valor", tendo-se quer a estratégia de "aposta num parceiro, para ir aprendendo com ele", quer a escolha do país para a concretizar revelado acertadas.

Recorde-se que, aquando da inauguração da Critical TechWorks no Porto, Klaus Straub, então CIO e vice-presidente sénior do grupo BMW, pontuou o discurso, dirigido aos novos colaboradores, com uma simples hashtag: #enjoyit (desfrutem).

Com uma média de idades dos funcionários a rondar os 31/32 anos, a empresa trabalha em duas grandes áreas de desenvolvimento de produtos. A denominada "enterprise IT", focada no desenvolvimento de software para satisfazer as necessidades internas da BMW, na vertente da tecnologia da produção e de produtos financeiros. E, por outro lado, investe na área da conectividade automóvel, que explora novos softwares ao nível da eletrónica do carro, desde o entretenimento ao desenvolvimento de plataformas, aplicações, sistemas de back-end ou cloud, ou seja, "tudo o que é preciso para o futuro da mobilidade e conectividade dos automóveis", assinala o responsável.

Para o COO da Critical Techworks, é "impressionante" a quantidade de produtos já desenvolvidos em apenas dois anos de atividade, pois, segundo o próprio, neste campo "as companhias demoram dois a três anos a lançar algo novo no mercado", cita a Lusa.

Jochen Kirschbaum destaca a nova aplicação da BMW, que se pode instalar no telemóvel e que permite controlar remotamente algumas funções do veículo, como verificar se os vidros estão abertos e fechá-los, trancar as portas ou enviar destinos de viagem para o sistema de navegação do carro. Lançada em julho em alguns dos principais mercados da BMW, como a Alemanha, França e Holanda, esta aplicação vai estar disponível brevemente no nosso país.

De igual modo, o dirigente sublinha o contributo que a Critical Techworks está a ter no desenvolvimento do novo veículo elétrico a lançar em julho de 2021 pelo gigante alemão. No BMW i4, assegura, "vão ser incorporados muitos produtos" desenvolvidos pela empresa que tem o seu centro de operações no Porto.

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