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Smartex
05 Novembro 2021
Empresa do Porto ganhou concurso de negócios inovadores da Web Summit
A Smartex ganhou o concurso de startups da Web Summit. A empresa não ganhou a escolha do público, mas acabou por recolher a preferência do júri de especialistas.

A Smartex, empresa sediada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), ganhou o concurso de empreendedorismo e negócios inovadores da Web Summit. O anúncio foi feito esta quinta-feira à tarde no palco principal da Web Summit, em Lisboa. A empresa portuense distinguiu-se das restantes finalistas com um dispositivo que elimina o desperdício tecidos em fábricas têxteis.

Se fosse pela escolha do público, a vitória teria sido entregue à Okra Solar, um empresa que veio do Camboja, e que recolheu 46% dos votos do público presente na mostra de tecnologias que está a decorrer em Lisboa. A Smartex obteve 42% dos votos, enquanto a Lisa, uma empresa alemã que desenvolveu uma ferramenta que agiliza o comércio eletrónico, obteve 13% dos votos.

Hanna Henig, diretora de Informação da Siemens, entregou a distinção (que não contemplou prémio monetário) e explicou que a escolha do júri - que determinou a vitória - teve em conta o posicionamento da Smartex e a proposta de valor que a startup portuense tem vindo a apresentar no mercado. Não é a primeira vez que uma startup criada por portugueses ganha o prestigiado concurso da Web Summit: em 2014, o concurso foi ganho pela Codacy, uma empresa que desenvolve ferramentas de análise de códigos de programação de software.

A Smartex tem vindo a ganhar clientes entre as fábricas e produtoras têxteis com dispositivos que recorrem a câmaras para a captação de imagens dos tecidos, mal saem dos teares. As imagens são analisadas por software de inteligência artificial que, segundo os mentores da empresa portuense, permite reduzir os desperdícios de tecidos e peças de roupa com defeito até quase zero.

A Smartex já garantiu três milhões de dólares (2,6 milhões de euros) em contratos – e muitos deles fora de Portugal, com destaque para a Turquia, além de países da Europa. Atualmente, a empresa tem escritórios no Porto, na cidade chinesa de Shenzhen, e na cidade americana de São Francisco.

A par da análise dos tecidos, os dispositivos criados pela Smartex podem intervir e travar, no momento, a tecelagem, consoante os requisitos de tolerância ao erro que forem definidos para cada peça ou unidade de fabrico.

Por enquanto, esta tecnologia apenas pode ser usada em teares circulares. António Rocha, um dos mentores do negócio, lembrou ao Expresso, pouco depois de apresentar o modelo de negócio no palco principal da Web Summit, que os teares circulares são responsáveis por metade da produção de têxteis no mundo.

O segmento já é promissor, mas a Smartex pretende ir mais mais além. "Também prevemos expandir esta tecnologia para outros tipos de teares. E mais tarde queremos aplicar esta solução à indústria do papel, do plástico e do metal”, referiu ao Expresso.

Até à data a tecnologia da Smartex já permitiu poupar 7,5 milhões de litros de água e 67 mil milhões de toneladas de tecido entre os respetivos clientes.
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