Notícias

IA
08 Junho 2021
Feedzai, Didimo, DefinedCrowd, Unbabel, Talkdesk: a IA que se faz em Portugal tem cada vez mais nomes
Sapo Tek

A inteligência artificial é uma das tecnologias emergentes que mais está a fazer "mexer” as economias, pela enorme quantidade de empresas a desenvolverem soluções tirando partido de IA, pela muito investigação que continua a fazer-se neste domínio e pelos milhares de milhões de euros em planos de investimento públicos e privados, já apresentados por diversos países. 

Algumas das tecnologias que já estão a mudar o mundo e os negócios, graças ao poder da IA, foram ou estão a ser desenvolvidas e operadas a partir de Portugal. É tecnologia portuguesa baseada em IA que suporta os sistemas de deteção de fraude nas transações financeiras de 800 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo os clientes de quatro dos cinco maiores bancos da América do Norte (Feedzai). 

É tecnologia portuguesa, que 1800 empresas em todo o mundo usam quando interagem com os clientes a partir de uma plataforma desenvolvida pela Talkdesk, fortemente apoiada em IA. Como é também tecnologia portuguesa a que ajuda várias empresas do índice Fortune 500 a criar e treinar modelos de IA para assistentes virtuais e outras aplicações (DefinedCrowd), ou que ajuda empresas como a Booking.com ou a Logitech a responderem mais depressa ao cliente, porque conseguem traduzir rapidamente pedidos de apoio em diferentes línguas.

Este último exemplo refere-se à tecnologia da Unbabel, que hoje tem hubs de inovação nos Estados Unidos, na Alemanha, no Reino Unido e em Portugal e escritórios cá e em várias cidades dos EUA, integrando 175 colaboradores de 26 países, que trazem para a cultura da empresa 17 idiomas. 

A Unbabel trabalha para eliminar barreiras linguísticas e fá-lo através de uma plataforma de tradução, que combina o poder da IA com o rigor de uma comunidade de tradutores humanos, que validam a tradução automática das máquinas. O software tem sido usado sobretudo em serviços de apoio ao cliente e, segundo dados da empresa, pode ajudar a diminuir tempos de resposta em cinco vezes. Tem na lista de clientes nomes como o Facebook ou a Microsoft, a PayPal ou a Under Armour, para além dos já referidos acima.

A Unbabel tem hubs de inovação nos estados unidos, na alemanha, no reino unido e em portugal e escritórios cá e em várias cidades dos eua, integrando 175 colaboradores de 26 países, que trazem para a cultura da empresa 17 idiomas.

Este ano, o grande objetivo da tecnológica portuguesa está em levar a plataforma para novos voos, que é como quem diz, para novas áreas de negócio. "A nossa plataforma começou por ser utilizada no serviço ao cliente, mas o futuro será ampliar a oferta. Isto implica continuar a desenvolver a IA para responder a novos desafios e à nossa missão, que é resolver o problema da barreira linguística”, explica Vasco Pedro.

Didimo é outra startup made in Portugal que faz da IA a tecnologia central da sua proposta de negócio. A empresa, que se divide entre Portugal, Reino Unido, EUA e Canadá cria modelos digitais de alta fidelidade de cada pessoa, para interações online. A tecnologia que desenvolveu consegue criar um humano digital em 90 segundos. Como funciona a tecnologia e como tira partido da IA? A Didimo desenvolveu uma nova abordagem para extrapolar dados anatómicos 3D, a partir de imagens de origem 2D, em tempo de execução. 

A empresa tem operações em Portugal, no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Canadá, mas é no Porto que concentra mais recursos, nomeadamente a equipa técnica, de engenharia e de investigação. 2021 é um ano importante para o projeto, que nasceu em 2016 pelas mãos de uma investigadora distinguida pelo trabalho na área da IA. É o ano da comercialização da plataforma, que aperfeiçoa o trabalho acumulado, já testado por empresas como a Amazon ou a Sony.

Para este ano, no roadmap da Didimo, está o lançamento de uma nova versão do Digital Human Generation pipeline, uma nova geração de humanos digitais com maior fidelidade e mais apurada na capacidade de mostrar semelhanças com o utilizador. " Este novo pipeline irá estabelecer uma plataforma que nos permitirá avançar continuamente na fidelidade do didimo e implementar novas funcionalidades durante o segundo semestre do ano”, explica João Orvalho.

A Talkdesk tornou-se popular a nível global por causa da sua solução cloud para contact centers. Nos últimos anos a inteligência artificial transformou-se numa peça chave, para manter a diferenciação do produto e é uma das áreas onde o unicórnio português investe em força. Tem uma unidade só dedicada à IA que, como explica Pedro Andrade, Head of Automation da empresa, "possui recursos próprios, a desenvolver tecnologia própria, treinada e adaptada ao mundo dos contact centers”. 

A Inteligência Artificial é usada para resolver três tipos de problemas: identificar situações que geram contactos, incrementar a capacidade de self-service pelos contactos e ajudar os agentes a resolver os problemas de forma mais rápida e correta. Vai ser crítica para ajudar a tecnológica a atingir o objetivo de automatizar 80% de todas as interações entre marcas e clientes. A Talkdesk soma hoje 1800 pessoas, que se dividem por Portugal, Reino Unido, França, Estados Unidos, Espanha e Austrália

A inteligência artificial também é a base do negócio da DefinedCrowd. A empresa fundada por Daniela Braga desenvolveu uma plataforma inteligente de recolha, enriquecimento, processamento e transformação de dados para sistemas de Inteligência Artificial (IA) e Aprendizagem Automática e disponibiliza um conjunto de recursos para acelerar a criação de modelos de IA, que os clientes podem personalizar para os mais diversos fins.

Com várias empresas do ranking Fortune 500 na lista de clientes, a startup tem hoje escritórios em Lisboa e Porto, nos Estados Unidos e no Japão. Este ano, um dos projetos importantes da DefinedCrowd é continuar a expandir as suas bases de dados com novos modelos de reconhecimento para línguas europeias, incluindo o português de Portugal. 

A Feedzai investe anualmente mais de um quarto dos resultados em inovação, que vai direitinha para melhorias na plataforma de deteção de fraude que instituições financeiras usam em todo o mundo. A empresa gera cerca de uma patente por mês, inovações que vai integrando no produto, através de várias atualizações ao longo do ano. Em 2021, quer manter o ritmo e está também a trabalhar para melhorar a usabilidade da plataforma e a qualidade dos modelos de machine learning, sempre numa lógica de "responsible AI”, como sublinha Pedro Bizarro, um princípio que lhe tem valido notoriedade e prémios. 

A feedzai desenvolveu um algoritmo que já recebeu vários prémios, por ser um exemplo de uma utilização responsável da ia. Considera a paridade entre vários grupos e só admite modelos que façam esse equilíbrio, conseguindo fazê-lo de forma eficiente, sem que represente um custo adicional em termos de tempo para o cientista que está a criar o modelo.


Novos projetos a caminho: que áreas se destacam?

A Faber gere um fundo que tem na IA - e tecnologias emergentes - a sua grande área de eleição e que apresenta como o primeiro fundo do sul da Europa especializado em empresas de dados e IA. Foi lançado em novembro do ano passado e já investiu em nove startups. Prossegue com a seleção de startups e com a angariação de investimento até aos 30 milhões previstos, mas entretanto já detalhou quatro investimentos, que testemunham a dinâmica de novos projetos de IA no mercado nacional. 

Dois são em startups centradas na componente de infraestruturas de dados, "que se focam em resolver os problemas do acesso a dados de qualidade, privacidade e transparência dos algoritmos nas organizações”, explica Sofia Santos, partner da sociedade de capital de risco. Além da Ydata e da Aprés, o fundo já tinha investido na Sword Health e na Emotai. 

A Sword desenvolveu um conceito de fisioterapia digital, assente numa solução patenteada que com o apoio de sensores e IA permite seguir um programa de tratamento à distância.  A Emotai, mais recente, está focada na neurotecnologia, com uma solução que usa dados recolhidos por um dispositivo e algoritmos proprietários, para impactar de forma positiva a performance humana, em contextos como o desporto motorizado de alta competição ou de burnout em trabalho remoto.

"O que consideramos encorajador para o futuro é pensar que os unicórnios de hoje resultam de projetos iniciados há 5-10 anos (ou mais) e, atualmente, vemos um volume significativamente maior de projetos em fase inicial, a serem lançados por equipas altamente qualificadas”, Sofia Santos, Faber.

Entre o que observa no mercado e a experiência acumulada com as empresas onde investe, a Faber acredita que as áreas da IA mais promissoras em Portugal passam por "aplicações inovadoras de machine learning ou de processamento de linguagem natural que é, de facto, pelo que temos analisado, uma das áreas onde Portugal tem potencial pelo talento e trabalho de I&D na academia”.

"Outras áreas como a visão por computador, o reconhecimento de voz e a robótica social, são também áreas de investigação que temos visto como relevantes no domínio da academia e talento produzido pelas universidades em Portugal”, elenca Sofia Santos.

Em termos de aplicação industrial, o potencial para a IA em Portugal estará sobretudo nas  áreas que estão a ser transformadas de uma forma mais drástica por estas tecnologias, como é o caso da indústria 4.0, mobilidade, saúde ou área financeira.

No entanto, a Faber deixa um alerta: "estas transformações esperam-se drásticas, mas a criação de empresas relevantes demora tempo e mais do que a sua valorização financeira é importante criar as condições e ter o capital paciente para que sejam empresas sólidas no futuro e consigam resolver os desafios complexos a que se propõem”.

Dito isto, há também uma nota positiva para não descurar: "o que consideramos encorajador para o futuro é pensar que os unicórnios de hoje resultam de projetos iniciados há 5-10 anos (ou mais) e, atualmente, vemos um volume significativamente maior de projetos em fase inicial, a serem lançados por equipas altamente qualificadas”, sublinha Sofia Santos.

Porto. Câmara Municipal
Copyright ©2021 Porto. Câmara Municipal
InvestPorto