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Imobiliário Porto
09 Abril 2020
Imobiliário: Mercado ibérico é aposta para sair da crise
Jornal Económico

Alargar o mercado interno até Espanha é a estratégia de curto prazo do setor hoteleiro em Portugal. Cristina Siza Vieira, diretora executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), diz que a pandemia da Covid-19 vai levar os países a virarem-se para dentro para incentivar o consumo interno.

"Portugal é dependente do transporte aéreo em mais de 90% e, neste momento, a maior preocupação até ao fim do ano é a retoma do turismo. Mas com as companhias aéreas paradas, vamos estar virados para o mercado interno alargado que é Portugal e Espanha, por ser aqui ao lado e pelo facto de as pessoas poderem vir de carro”, afirma a responsável da AHP. No entanto, a "médio e longo prazo vamos continuar a apostar noutros destinos como já acontecia anteriormente”, salientando que a média nacional do turismo português ronda os 40% e que "fazê-lo crescer mais vai ser vital”.AdChoices

Para que esse crescimento possa ser feito, Cristina Siza Vieira assume que a preocupação da indústria hoteleira é alinhar-se com "aquilo que é a estratégia do Turismo de Portugal”. "Têm de ser criados produtos mais amigáveis para as famílias, melhores condições de reservas, apostar em pacotes mais económicos e neste alargamento também para o mercado espanhol”, afirma.

Contudo, a responsável da AHP realça que "a hotelaria nunca desprezou o mercado nacional”, na medida em que Lisboa e Porto são como outras cidades de nível mundial que "não vivem muito do turismo interno”. Assumindo que os próximos tempos vão ser diferentes para todos os destinos turísticos devido à pandemia, é muito natural, segundo Cristina Siza Vieira, que sejam "lançadas umas campanhas do vá para fora cá dentro, mesmo a nível mundial, enquanto não existir mais segurança na abertura das fronteiras”.

Recuperar imobiliário para alavancar o turismo

"Tudo o que afeta o turismo afeta o imobiliário, e vice-versa”, refere Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), que acredita que em termos de investimento estrangeiro o turismo vai demorar mais tempo a recuperar que o imobiliário, e que será este setor novamente a recuperar o turismo. "Já o fizemos no passado, fomos os primeiros a ir lá fora captar investimento de França e da China. Hoje em dia, dos mais de 40 mil franceses que vivem em Portugal, seis mil estão no Algarve e 18 mil em Lisboa”, acrescentando que "precisamos de manter alguma rota de investimento estrangeiro, mesmo pensando que nos vamos dirigir mais para o mercado interno”.

O responsável diz que "não podendo o imobiliário contar com o turismo nos próximos meses, ou até mesmo no próximo ano, teremos de poder continuar a contar com este regime de captação de investimento estrangeiro”, conclui.


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