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Porto Tecnologia
15 Março 2020
Porto mostra o seu lado high-tech ao mundo
Expresso

Os empreendedores internacionais começam a dar ao Porto um lugar de destaque no campeonato dos melhores destinos para investir em tecnologia e no estudo europeu Startup Heatmap a cidade aparece em segundo lugar nos rankings de talento disponível e na relação custo-benefício.

As distinções sucedem-se. Já era a cidade mais acolhedora para startups nos World Excelence Awards (2018) e o terceiro hub tecnológico com maior crescimento da Europa (Atomico 2018). Agora (2019/2020), é a melhor cidade europeia no apoio a startup e pequenas e médias empresas (PME) e a quinta melhor cidade média europeia na estratégia de investimento, diz o FDI Intelligence ("Financial Times”). E é ‘Cidade Europeia do Ano’ nos The Urbanism Awards 2020, "mais uma distinção importante porque o urbanismo e qualidade de vida são critérios fundamentais para as multinacionais escolherem onde investem”, destaca Ricardo Valente, vereador com o pelouro da economia.

Se os projetos de investimento no Porto dispararam 150% em três anos, mais de metade são da área tecnológica, a assumir-se como um ativo mais valioso do que o turismo. Aliás, no balanço do trabalho feito em 2019 pela InvestPorto, entidade responsável pela atração de investimento para a cidade, fica claro que a "procura (de metros quadrados de área) foi gerada sobretudo por projetos no sector tecnológico, que tendem a preferir espaços modernos, flexíveis e centrais”.

O salto de €14 para €18 por mês das rendas prime dos escritórios em dois anos reflete a nova dinâmica do Porto e concelhos vizinhos, marcada pela chegada de empresas como a Natixis, que arrancou em 2017, emprega 800 pessoas e está pronta para passar a barreira das mil, ou empreendedoras como Lisa Lang, uma das 50 mulheres mais influentes do mundo tecnológico. Desenhou de raiz OFundamentO, um projeto que cruza tecnologia, design e têxtil para o Porto, "a cidade com mais capacidade para fazer nascer uma coisa deste tipo na Europa”, explicou numa reunião na câmara.

Quem trabalha no sector diz que o "Porto já deixou de estar só na moda”. Como marca de cidade e região já é um destino no mapa dos investidores, garantem as empresas contactadas pelo Expresso. É verdade que no caso da Critical TechWorks, que juntou a Critical Software e a BMW na área da tecnologia e da mobilidade do futuro, os alemães começaram por preferir Lisboa. "A Critical está lá, mas percebemos que era mais fácil crescer rapidamente aqui e eles estão rendidos”, comenta Rui Cordeiro, presidente executivo desta empresa que acaba de se mudar para o Palácio dos Correios, junto à Câmara do Porto, e ano e meio após a fundação está pronta a empregar mil trabalhadores.

O Porto não foi escolhido em função de custos porque "havia outros destinos possíveis na Europa mais baratos para a BMW”, garante o gestor, admitindo que o talento disponível e a relação custo-benefício pode ajudar a explicar o rápido crescimento da empresa. "Quando avançámos, as tecnológicas já estavam a apostar no Porto e isso foi importante para a BMW. Viu um ecossistema em desenvolvimento na região”, diz.

Na verdade, o Porto partilha o seu lado tecnológico com outros concelhos da sua Área Metropolitana (AMP) como a Maia e Matosinhos, onde a Revolut inaugura o seu Centro de Inovação e Suporte a 19 de março, propondo-se acolher mais de 500 profissionais em áreas como o crime financeiro, no futuro próximo. "E faz todo o sentido pensar na AMP quando se fala do Porto”, defende Luís Neves, porta-voz da Porto Tech Hub, uma associação sem fins lucrativos que nasceu por iniciativa da Critical Software, Blip e Farfetch, em 2015, com a missão de reforçar a imagem local na atração de recursos humanos especializados, "na certeza de que sendo concorrentes entre si, podem complementar-se, potenciar uma rede de contactos e criar um efeito bola de neve fundamental para entrar no mapa do investimento internacional”.

Hoje, junta 26 nomes do sector tecnológico, numa mistura de capital luso e internacional em que o último aderente foi a norte-americana Avlino, focada em inteligência artificial. A força do triângulo universitário Braga-Porto-Aveiro é apontado como um dos fatores de sucesso do íman tecnológico que está a nascer à volta do Porto, mas a segurança, a qualidade de vida, o movimento da geração Erasmus, as infraestruturas e a força do novo destino turístico entre o rio e o mar "também pesam” na mudança em curso, comenta. "O efeito de charme do Porto é decisivo e há pouco tempo, numa conferência que organizámos na Alfândega, um responsável da Amazon ficou tão apaixonado pelo local que disse logo que tinha encontrado o sítio ideal para um evento da multinacional”, acrescenta.

Verónica Orvalho, da Didimo, não tem dúvidas de que "é possível juntar diferentes culturas e conquistar o mundo da tecnologia a partir do Porto”. Já Lurdes Gramaxo, da Bynd Venture Capital, empresa que gere fundos de capital de risco nas fases seed e early stage numa base ibérica, admite que o peso do Porto no seu portefólio está a aumentar. "Temos 32 startups e sete são do Porto, um polo já sólido e bem estruturado no ecossistema tecnológico.” E conclui: "O Porto está cada vez mais no nosso radar, até porque sabemos que o talento atrai talento.”

Didimo investe em humanos digitais

Qual a forma mais rápida de criar personagens 3D? "Automatizar e simplificar o processo através de selfies de pessoas reais.” É assim que Verónica Orvalho explica a missão da Didimo, líder no desenvolvimento de seres humanos digitais de alta fidelidade para clientes como a Amazon ou a Sony.

Pode ser mais um unicórnio (startup avaliada em mais de mil milhões de dólares) português, mas a professora universitária e fundadora da Didimo evita os números do negócio. Destaca a "aposta na criação de interações virtuais mais humanas”. Promete "imagens 3D no telemóvel de cada um, nas redes sociais”.

Apresenta a empresa como startup multinacional que nasceu no seio da Universidade do Porto (spin off), tem presença em Londres, EUA e Canadá e uma área de negócio ampla em que entretenimento e retalho são apenas ponto de partida. O próximo objetivo: uma plataforma para gerar milhares de gémeos digitais 3D. A equipa de 25 pessoas duplica em 2020 para acompanhar novos projetos suportados por uma ronda de financiamento de €4,4 milhões de investidores como a Portugal Ventures, Farfetch, Bynd Venture Capital, Beta-i e LC Ventures a que soma €1,8 milhões do projeto-piloto Accelerator do Conselho Europeu da Inovação.

Viu o projeto ser escolhido entre mais de mil pela aceleradora Techstars (Londres, 2016), é a única europeia no grande júri do Siggraph, o maior evento mundial de computação gráfica, já mereceu a atenção da "Forbes”, venceu o Women Startup Challenge (Nova Iorque) e tem um galardão da IBM.

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