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12 Maio 2020
"Portugal continua no radar do investimento"
Jornal de Negócios

Incentivos fiscais, celeridade nos licenciamentos e manutenção dos vistos gold são, a par do investimento público, as grandes ajudas que setor da construção precisa, diz o diretor-geral da GesConsult.

O novo coronavírus não parou o setor da construção, mas se várias obras que já estavam no terreno continuaram a avançar, as que se encontravam em fase de projeto ou de decisão ficaram em "stand by", o que para Nuno Garcia, diretor-geral da GesConsult, empresa especializada em gestão e fiscalização de obras, significa que o impacto da pandemia nas obras "vai ser sentido no final deste ano". É que, explica, "arquitetos e projetistas estão a sentir na pele o efeito da covid-19 por ter havido muitos adiamentos", ou seja, "quando era suposto haver regeneração de obras corremos o risco que não aconteça".

O responsável garante que "Portugal continua a estar no radar do investimento", mas apela a que sejam dadas condições aquém quer investir. "Com as taxas de juro baixas e o mercado de capitais instável, o imobiliário continua a ser um bom investimento e o capital não desapareceu", salienta Nuno Garcia, sublinhando que mesmo no atual momento "os grandes promotores têm reiterado a vontade de investir em Portugal, para onde olham a médio e longo prazo".

"Portugal vai continuar a atrair investimento estrangeiro, mas tem de haver incentivos fiscais, celeridade nos licenciamentos e simplificação dos processos", afirma o diretor-geralda GesConsult, para quem neste momento é também "impensável" acabar com os vistos gold "Esse é o grande incentivo ao investimento que o setor precisa para não perder a dinâmica que estava a ter no início deste ano", apela, afirmando que, "se antes, já era importante, agora é importantíssimo."

Para Nuno Garcia, qualquer que venha a ser o impacto da pandemia, a perspetiva de recuperação do setor "não tem nada a ver com crise de 2008".

"Agora há uma paragem do investimento, mas o investimento não está a fugir de Portugal. O país continua no radar dos grandes investidores", afirma.

Na componente da habitação, Nuno Garcia salienta que a recuperação será rápida. "Até ao fim do ano devem entrar no mercado alguns imóveis, aumentando a oferta, o que, sendo a procura agora menor, fará baixar os preços", afirma o responsável, antecipando, no entanto, que "no próximo ano os preços vão recuperar".

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