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“Aqui há Pardal”. Histórica pincelaria renova fábrica no Porto
12 Janeiro 2020
“Aqui há Pardal”. Histórica pincelaria renova fábrica no Porto
Jornal de Negócios

"Olá… Aqui há Pardal! Mas pintar, quem pinta? Só pinta bem quem pinta com trinchas e pincéis da marca Pardal. A pincelaria com total garantia". Foi com este anúncio radiofónico dos Parodiantes de Lisboa – que celebrizaram também as campanhas publicitárias da J. Pimenta, Chaves do Areeiro, Polilon ou rebuçados Dr. Bayard – que esta empresa do Porto ganhou fama e proveito nacional no final dos anos 1960.

Meio século depois, a histórica empresa continua a fabricar trinchas, pincéis e rolos de pintura na fábrica de 2.000 metros quadrados à face da Estrada da Circunvalação, onde nos anos 1980 chegaram a trabalhar 80 pessoas e que hoje emprega 24. E a tendência é para reduzir este efetivo até às duas dezenas dentro de três anos, prosseguindo a automatização industrial "à medida que as pessoas se vão reformando".

Com "menor incorporação de mão-de-obra" e o objetivo de "aumentar a produtividade e reduzir o desperdício de materiais", relata o administrador, José António Monteiro, avança este ano um novo investimento de quase meio milhão de euros. Esta terceira ronda para a substituição de equipamentos vai ampliar a capacidade mensal de fabrico de 150 para 200 mil peças em 2021.

"Conservadora em muitos aspetos", orgulhosa por "nunca [se ter] endividado e do princípio de ter uma almofada financeira para aguentar qualquer crise que venha", a pincelaria fundada em 1954 está também a refrescar a imagem corporativa, abrangendo o logótipo e as embalagens "mais atrativas e explicativas" que já começam a chegar ao mercado.

Na lista de concorrentes estão as portuguesas Universal e Rigo, além de fornecedores europeus e asiáticos. Como noutros setores, como o têxtil, Monteiro conta que foram as "grandes invasões chinesas com produtos super baratos e de qualidade duvidosa" que quase tiraram o pio à Pardal no final dos anos 1990. Como aguentou o embate? "A resposta foi manter a qualidade", atesta o gestor.

Perdeu uma valente fatia dos consumidores finais para esses artigos vendidos em grandes superfícies, mas "os principais clientes não foram por aí". Ou foram e voltaram.

Os fabricantes de tintas continuam a ser o principal canal de vendas, com uma quota de 60%, seguidos dos distribuidores de materiais de construção. O comprador mais recente, conquistado em 2019, está a entusiasmar a produtora que introduziu o uso do rolo de pintura no país: a Maxmat, participada pela Sonae, retalhista especializada com 31 lojas e agora mais dedicada ao segmento profissional. 

Em 2019, a Pardal faturou quase dois milhões de euros. A exportação para vários destinos, de Espanha ao Paraguai pesou 12% do total.

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